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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Montemor, 26 de Agosto de 1458

Querido diário,

De volta a estrada! Novamente volto a viajar e deixo minha linda casinha em Santarém trancada.
E essa viagem na qual estou a fazer tem como objetivo, buscar madeira para minha padaria e para a CP, fazer um favor para a querida Cristinne e claro visitar meu namorado e meu querido padrinho em Avis.
Apesar que ando, nesses dias, meio que isolada de todos, trancada no quarto, lendo e lendo vários livros, e passeando em lindas histórias, ao ponto de não ver o tempo passar, quando me dou conta o dia já passou, e a noite chegando, é quando tenho que viajar.
Apesar de muitos terem me falado que é perigoso viajar a noite, eu prefiro assim e parece que não sou a unica, já que estou nessa viaje acompanhada das minhas queridas amigas Mercedita e Elsita, que até o momento não tem reclamando do horário escolhido para colocar o pé na estrada.
Cavalgar a noite pela estrada iluminada apenas pela lua, torna-se uma aventura magnífica, pois não sabemos o que iremos encontrar e nem os perigos que se esconde, felizmente nossa viaje está sendo abençoada por jáh, e nada de mal aconteceu,o que é realmente um alivio! Tanto para mim como para as meninas.
Infelizmente nos 2 dias que fiquei em Montemor não encontrei o meu namorado, dificilmente nós encontramos, só conversamos por carta, cartas que demoram para chegar e demoram para retornar com as respostas. Não estou a reclamar, as vezes penso, que eu sou a culpada, que deveria exigir mais e oferecer mais, no qual não tenho feito. Apesar, que pensando bem, estou sendo uma péssima namorada, já que ele que me escreve primeiro e eu apenas respondo e demoro para responder também.
Não quero julgada e nem condenada, nem por mim mesma nem por ninguém, mais é tudo novo para mim, e namorar na minhas circunstâncias está a ser meio complicado. Confesso querido diário, que a ambição não caminha bem ao lado do amor, e no momento estou a cultivar a ambição, o desejo de evoluir...
A descoberta de que sou orfã, não me tornou uma pessoa mais alegre, pois as lembranças das batalhas da minha infância para sobreviver, aparece constantemente na minha mente, noite frias e tantos dias com fome, faz com que a vontade de batalhar para ter uma vida financeiramente boa seja maior que o amor.
Não quero viver nunca mais o que vivi naqueles dias, e apesar de ter apenas 16 anos, estou feliz, com os resultados da minhas conquistas até agora.
Sou jovem tenho muito que aprender, a viver e a amar....

To be continued....

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